quinta-feira, 26 de junho de 2008

Mensagem do Dia

Mulheres são como defesas que fazem linha de impedimento. Só funcionam quando bem treinadas.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Grenal


Estamos prestes a presenciar a 370ª edição do maior clássico regional brasileiro e talvez do mundo, o de maior rivalidade, maior comoção e mobilização em sua praça de desporto, o Grenal. Desde a sonora goleada gremista por 10x0 no longínquo 18 de julho de 1909, no primeiro Grenal, ao 7x0 colorado em 1948, o azul e o vermelho das duas bandeiras se opõem. Se desencontram, se bicam. O Inter leva vantagem no número de embates vencidos contra seu maior rival, são 19 vitórias a mais, porém, quando se trata de campeonato brasileiro a escrita é favorável aos tricolores, são três confrontos a mais vencidos pelo time da Azenha.

Números a parte, é comum nas semanas que antecedem um Grenal, um time em boa fase e outro em maus lençóis. E o que poderia ser algo animador para um e desalentador para outro, muitas vezes serve de motivação para o pior posicionado e soberba para o melhor colocado. São as lógicas de um clássico sem lógicas, sem previsões, o que não quer dizer que não exista muita expectativa, muita animosidade. De parte a parte os olhares e instintos são de gana, de garra, de luta e de sobrevivência, afinal um Grenal pode matar ou pode ressuscitar um dos dois clubes. Ou alguém duvida que depois de uma vitória no clássico o Internacional possa dar uma reviravolta em sua trajetória no certame nacional? Ou o Grêmio vencendo alavancar ainda mais sua campanha promissora e de quebra ver o rival se afundar em uma crise sem precedentes?

Pois vos digo meus senhores, que em um clássico do tamanho de um Grenal, não há definitivamente favorito, até quem a essa posição é alçado, dela se escapa em depoimentos pólidos e combaidos. O Grêmio chega ao embate de número 370 com a calma e serenidade conquistadas com a boa trajetória até aqui no Brasileirão. Depois de um começo de ano difícil, com duas eliminações precoces e consecutivas, o Tricolor vai readquirindo a confiança para trabalhar e buscar de novo a Libertadores. No lado colorado a situação é inversa, após um animador começo de temporada com as conquistas da Dubai Cup e do Gauchão, o colorado vem provando o gosto amargo das derrotas. Chega ao Grenal com a obrigação de dar uma satisfação aos seus torcedores e arrumar a casa. Tanto gremistas e colorados trabalham forte porque sabem que o Grenal 370 tem lógica, mas a lógica não faz parte de um Grenal.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Brasil 0 x 0 Argentina


A Seleção Brasileira não saiu de um empate sem gols diante da Argentina, em partida disputada quarta-feira à noite, no Estádio Mineirão, válido pela sexta rodada das Eliminatórias da Copa do Mundo de 2010.

Após ter perdido para o time paraguaio, no final de semana, por 2 a 0, em Assunção, a equipe brasileira mostrou melhor desempenho contra os hermanos, mas não o suficiente para vencê-los.
Enquanto que a Argentina vinha de um empate em 1 a 1 com o Equador, no Monumental de Nuñez. Contudo a trupe, comandada por Riquelme e Messi, de boas atuações vale ressaltar, continuam com dois pontos de vantagem na tabela de classificação sobre o Brasil, 11 para 9 pontos. Quem lidera o grupo é o Paraguai, com 13.

Desde domingo, alguns torcedores já manifestavam a saída do técnico Dunga, da Seleção Brasileira, que vêm sofrendo severas críticas e cada vez mais intensas na imprensa, após a derrota no amistoso para a Venezuela, a cerca de duas semanas, nos Estados Unidos.
Seguido, agora, com esses dois resultados pela Eliminatórias Sul-Americanas, derrota e empate, o boato é de que Dunga assim que der o início e até o término da participação do Brasil, nos Jogos Olímpicos em Pequim, deixará quase que certo o cargo de técnico da seleção. Isso me remete a um passado não muito distante, quando os treinadores Luxemburgo e Leão, também, foram demitidos.

Acredito ser muito cedo para se pensar numa não classificação da Seleção Brasileira para a Copa de 2010. Tendo em vista, que recém ocorreu a sexta rodada do total de 18 jogos, ainda a se realizar.

Portanto, é bom o técnico Dunga ficar bem esperto e continuar trabalhando firme para que nas Olimpíadas possa conseguir um excelente resultado pra nós brasileiros, e dessa forma, dar seqüência no comando da comissão técnica.

Autor: Daniel Miranda

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Momentos


Talvez o nome mais recorrente da vitória Gremista sobre o Goiás sabado (14/06) no Serra Dourada, seja o do goleiro Victor. O arqueiro tricolor teve em sua atuação maior destaque do que o tabu quebrado pelo time gaúcho no sempre complicado estádio do Esmeraldino. Victor foi seguro, eficaz, por vezes frio e calculista. Chegamos a metade da temporada e muitos torcedores já esqueceram do argentino Saja, tudo isso, graças as grandes e frequentes intervenções do guarda-redes do Grêmio. De acordo com a velha máxima do futebol de que todo grande time começa com um grande goleiro, o Grêmio pode se animar. Fora a grata surpresa que é Victor, temos um sistema defensivo sólido, responsável pela melhor defesa do Brasileirão até a sexta rodada, uma média de 0,5 gol por partida. Nem um gol por partida de média. No meio-campo Roger comanda a articulação Gremista, auxiliado pelos coadjuvantes Rafael Carioca e Eduardo Costa. Os laterais sobem com fluidez e defendem com sensatez. E o ataque que parecia ser o setor mais afetado, ou demorado a evoluir do time, começa a desabrochar. Dos nove gols marcados pelo tricolor no certame nacional, seis são originados dos avantes. O momento é bom.

Por outro lado, ali nas bandas da beira do rio, o momento não é dos melhores. Com a saída do capitão Fernandão o Internacional perde seu principal jogador, seu líder, seu rumo, seu prumo. Fernandão era o técnico colorado dentro de campo, trazia para perto os mais jovens, trocava experiências com os mais velhos. Era, junto de Iarley, agora no Goiás e Clemer, um dos líderes do vestiário vermelho. Um vestiário vencedor, o mais vencedor da história do clube. O Inter não se perde só agora. Se perde a algum tempo, depois da conquista sobre o Barcelona em Yokohama, o colorado pareceu maravilhado, disperso, disconexo. Fez um péssimo gauchão e igualmente vexamou na Libertadores. No brasileiro houve descaso e o ano de 2007 passou em branco. Em 2008 com a conquista da Dubai Cup e do Gauchão com uma sonora goleada sobre o Juventude, parecia que tudo se resolveria. Parecia. A eliminação da Copa do Brasil para o campeão Sport deflagrou os defeitos do Inter. Em um dos times considerados com o melhor grupo do Brasil, faltavam jogadores, ou melhor, faltavam jogadores de qualidade, uma vez que o grupo vermelho era bem extenso. Talvez por isso as dispensas tenham começado a ocorrer. Gabiru e Iarley, nomes importantes da conquista mundial, foram deixados ao relento. E por fim o capitão Fernandão foi tirado do Beira-Rio com uma proposta milionária do Oriente Médio. Muitas perguntas ainda estão no ar. Conseguirá Tite se recolocar no cenário nacional com um grande trabalho no Inter? Quem substituirá Fernandão? Quando enfim terão os colorados a volta de seus bons momentos?

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Oportunismo ou Oportunidade?

O Capitalismo Esportivo
Fê Cunha


O esporte profissional se tornou um dos maiores espetáculos da cultura da mídia de massa. A exposição de certos esportes fez com que determinados atletas recebam grande destaque, seja por suas habilidades esportivas ou suas atividades dentro e fora das competições.

Pelo fato de representar um dos mais importantes fenômenos sociais, diversas empresas usam o esporte como uma ferramenta para aumentar sua popularidade. Ainda, transformam um esportista profissional em estrela e passam a imagem de que é o equipamento usado por ele, o responsável pela eficiência do atleta, o que traz grande sucesso em suas vendas. Essa estratégia é usada também por empresas que não possuem relação direta com o esporte, como bancos, títulos de capitalização e construtoras, por exemplo.

O esporte profissional constituía, no passado, um evento que dava às pessoas senso de comunidade e orgulho. Para os participantes, a alegria de um simples jogo para uma platéia de milhares de pessoas era mais do que uma compensação.

A indústria do esporte profissional atualmente representa um negócio repleto de oportunidades. Os próprios clubes fazem com que sua marca esteja nos mais diversos lugares e acessórios que vai muito além de calções e camisetas, chegando a todo o tipo de vestuário, artigos de escritório, cama, mesa, banho, além de outros produtos e serviços. O esporte é parte indissociável da vida contemporânea e objeto de consumo de todas as classes da sociedade brasileira. Os diversos produtos esportivos à disposição do consumidor e o consumo esportivo alcançam uma posição bastante importante na indústria de comércio.

Além disso, um consumidor pode acreditar que, comprando e usando o produto ou serviço, absorverá suas qualidades desejadas como num passe de mágica. Freqüentemente, mais importante que o reconhecimento do nome da marca, é aquilo que ela significa, as associações e a personalidade do espectador/usuário.

O jogo, outrora visto como diversão, cede lugar à realização de negócios. Os clubes, que antes nasciam da interação social e da vontade das comunidades, objetivam agora a formação e a venda de jogadores, sua principal fonte de renda e, efetivamente, o produto com maior taxa de lucro. A competição não mais se limita à quadra, ao campo, a piscina ou aos ringues, ela está presente em reuniões das maiores empresas, através da extensão do produto e da criação de novas fontes de receita.

No momento em que se conquista um campeonato ou uma medalha de ouro, há a divulgação e conseqüente a venda de produtos e técnicas, que parecem ser responsáveis pelo sucesso dos esportistas. O esporte se transformou não só em uma indústria de inegável poder econômico, ligada ao consumo de massa do esporte, como também em um componente forte de capitalismo.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

O dia do goleiro


Quando se posta debaixo das traves o goleiro sabe que pode tanto ser consagrado, como massacrado. Desde a pelada quando muleque, quem resolve "atacar" no gol sabe que é visto de maneira diferente pelos outros. E nem sempre boa. O goleiro flamenguista Bruno talvez soubesse de tudo isso quando se ajoelhou sobre o gol que defenderia no estádio Olímpico em Porto Alegre, em partida contra o Grêmio. Ou talvez simplesmente estivesse pensando em não deixar a bola passar. O fato é que foram 19 intervenções do arqueiro, pelo menos quatro de suma importância, e ao final do jogo o nome do próprio soou incontestávelmente como sendo o personagem principal da partida. Bruno contou com a trave, com a má pontaria do ataque gremista, com a sorte, com a estrela que um bom goleiro deve ter. Sim Bruno, que havia falhado na eliminação rubro-negra da Copa Libertadores, sofrida diante do América do México e seu "acima do peso" Cabañas. O goleiro se consagrava, se redimia, se justificava. Afinal o futebol precisa de satisfações, de respostas, de soluções.

Soluções estas que o próprio Grêmio não encontrou, mesmo sendo muito agudo, ofensivo, incisivo. O tricolor parou em Bruno, e parou também na qualidade de seus atacantes, que mesmo bem municiados por Roger, pelo ousado Hélder, dentre outros, não conseguiram marcar o tento azul. Fica a expectativa de que com os reforços e mexidas necessárias o Grêmio consiga fazer um bom Brasilerão. E por fim dar de novo a sua torcida a alegria da volta a Libertadores. Uma tão amada obsessão.


Foto: Daniel Moura

domingo, 11 de maio de 2008

A Paixão Gaúcha Pelo Futebol


Fê Cunha


O sentimento de paixão dos gaúchos pelo futebol começa em 19 de julho de 1900, com a criação do Sport Club Rio Grande, primeiro clube brasileiro dedicado só ao futebol e mais antigo em atividade no País. Durante seus 108 anos, o Rio Grande ganhou alguns títulos importantes, como o Campeonato Gaúcho de 1936, lutou contra muitas dificuldades, sobreviveu a todas e jamais deixou de participar dos torneios pelo Estado, mesmo sob muitas adversidades. Esse foi o marco da relação mais que centenária dos gaúchos com o futebol.

A organização de fato do futebol no Rio Grande do Sul só veio quando o Sport Club Rio Grande completou 18 anos de existência. Em 1918, com a criação da Federação Riograndense de Desportes, que mais tarde viria a ser a Federação Gaúcha de Futebol (FGF), como é explicado no site da entidade (http://www.fgf.com.br/portal/fgfhistorico.php). “Desde o início do século eram disputadas partidas amistosas, existiam muitas ligas e competições citadinas e regionais. Mas faltava uma entidade que comandasse o futebol gaúcho e organizasse o campeonato. No dia 18 de maio de 1918 foi fundada a Federação Riograndense de Desportos com a finalidade principal de congregar as associações desportivas e criar a disputa pelo título de campeão estadual. A reunião que marcou a criação da entidade aconteceu na sede da revista "A Máscara", no centro de Porto Alegre.

O primeiro presidente foi Aurélio de Lima Py, do Grêmio, que teve a tarefa de unir as várias ligas existentes para a disputa do primeiro campeonato estadual. A primeira competição, devido a uma forte epidemia de gripe, somente aconteceu em 1919. Os participantes foram Grêmio, Brasil de Pelotas e 14 de Julho de Livramento.

A Federação Riograndense de Desportos que transformou-se em Federação Gaúcha de Futebol já teve até hoje 22 presidentes e um interventor. O Dr.Aneron Corrêa de Oliveira é até agora o recordista na presidência da FGF. Ele comandou a entidade por 20 anos consecutivos.

O atual presidente da Federação Gaúcha de Futebol, Francisco Novelletto Neto, empossado no dia 19 de janeiro de 2004.“.

Quem não é do Rio Grande do Sul e não conhece de perto a realidade esportiva do Estado sempre é levado a acreditar que a força do futebol gaúcho decorre exclusivamente da rivalidade entre Internacional e Grêmio. Essa conclusão, entretanto, não é capaz de explicar todas as circunstâncias que levaram os dois grandes times do Estado a grandes conquistas.

O Ex-Presidente da Federação Gaúcha de Futebol, Emídio Perondi, tenta explicar esse motivo na FGF – Revista da Federação Gaúcha de Futebol, (1997, pg.03). “O futebol gaúcho não é grande por acaso, ou porque aqui surgem bons valores técnicos e alguns excepcionais administradores. Em certas circunstâncias, até os gênios ficam sem respostas para alguns enigmas.

No caso do nosso futebol, a cada ano se apresenta um desafio a ser vencido. Essa constante exigência de superação é que forja o caráter inabalável do desportista gaúcho” . Os dois maiores clubes do Rio Grande do Sul, estão na capital, em sua rivalidade quase centenária o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense (criado em 1903) e o Sport Club Internacional (em 1909), propagaram o futebol gaúcho por todos os cantos do planeta, em Peleia, Fabiano Baldasso e Carlos Guimarães (2007), citam a realização do primeiro Gre-Nal, que viria a ser o maior clássico do Estado. “Dois gigantes nasceram na primeira década do século XX. Um, em 1903. Outro, em 1909. Dois opostos. Os opostos se atraem. Dois semelhantes. Semelhantes que se repelem. Duas almas, duas entidades, duas paixões. Quando o Grêmio Football Portoalegrense e o Sport Club Internacional, precisamente às 15h23min do dia 18 de julho de 1909, deram o pontapé inicial para o primeiro jogo de futebol entre as duas agremiações, parte da história do Rio Grande do Sul estava mudando.” (Baldasso;Guimarães, 2007, pg.10).

Os dois clubes já foram campeãs mundiais interclubes, em 1983 o Grêmio pintou a América e o mundo de azul e em 2006 foi a vez do internacional atingir o ápice que um clube pode chegar. A grandeza das duas instituições e a paixão movida por suas torcidas faz com que os gaúchos digam ser a maior rivalidade do mundo, como é alegado em Peleia, Fabiano Baldasso e Carlos Guimarães (2007). “Por que a gente considera o Gre-Nal como o clássico de maior rivalidade do planeta? Certo, nós somos um pouco bairristas. Mas a palavra certa é uma só: Paixão. Somos completamente movidos por uma paixão construída ao longo de 100 anos de história. A história de um futebol com identidade, personalidade, autenticidade e singularidade.” (Baldasso;Guimarães, 2007, 148).

A paixão dos gaúchos pelo futebol é tão grande que faz com que o Estado pare quando ocorre um Gre-Nal, é comum ver ruas vazias, avenidas com baixo trafego de carros e os torcedores vidrados em frente à TV ou Rádio. Dois dos maiores cartões postais de Porto Alegre e do Rio Grande do Sul pode ser conferido no jornal informativo especial, Zero Hora - O Melhor do Rio Grande (2006, pg.05) “Qual é o oposto do azul? Qualquer porto-alegrense responderia com naturalidade que é o vermelho, embora a resposta pudesse parecer absurda para alguém de fora do Estado. “Azul não tem antônimo”, retrucaria um visitante desavisado. Mas quem nasce ou adota Porto Alegre como moradia sabe que uma paixão move os gaúchos. Uma paixão dividida em duas cores, enraizada na cultura e no sentimento de sua população. É o Gre-Nal, a partida entre os dois maiores clubes do Estado.

Embora Grêmio e Inter tenham torcedores espalhados pelo Rio Grande do Sul e pelo Brasil, é em Porto Alegre que culmina a rivalidade. Seja no Olímpico ou no Beira-Rio, o Gre-Nal é um espetáculo de cores, caras pintadas, bandeiras, emoções e comemorações. Uma partida mais apaixonada e fervorosa do que qualquer outra de dois times, mesmo que não esteja valendo a taça, liderança ou classificação em um Campeonato Gaúcho ou Brasileiro, melhor ainda. Que colorado não lembra do Gre-Nal dos 5 a 2, quando o Inter manteve sua liderança no Brasileirão de 1997 após uma vitória de goleada no clássico, em plena casa do rival? E qual gremista poderia esquecer da final do Gauchão de 1977, quando o Grêmio ganhou de 1 a 0, quebrando uma hegemonia de oito anos de títulos consecutivos do principal adversário? Também marcaram época o chamada Gre-Nal do Século, vencido pelo Inter na semifinal do Brasileirão de 1988,e o Gre-Nal Farroupilha, que decidiu a taça citadina em favor do Grêmio em 1935. São partidas inesquecíveis, que fazem parte das boas memórias da vida de gremistas e colorados.

Sim, porque a rivalidade estabelecida entre os dois times é bem-vinda e torna-se uma constante na vida dos gaúchos. O Gre-Nal é tão importante que deixa saudade quando não ocorre por meses ou anos. O Rio Grande do Sul é o único Estado onde azul é oposto de vermelho. Mas uma cor precisa de outra para suscitar entre suas torcidas o sentimento mais apaixonado pelo futebol.”

O maior clássico do Rio Grande do Sul foi disputado 369 vezes, sendo 137 vitórias para o Internacional, 118 para o Grêmio e 114 empates. Já correram Gre-Nais em diversas competições além do Campeonato Gaúcho, como no Campeonato Brasileiro, na Copa do Brasil, Copa Sul, Copa Sul-Minas, Seletiva para a Libertadores, entre outros.

Os dois clubes já conquistaram todos os títulos requeridos para que um clube possa ser chamado de grande. O Internacional, ou Colorado (como também é chamado) conquistou um Mundial Inter-Clubes FIFA, uma Taça Libertadores da América, três Campeonatos Brasileiros, uma Copa do Brasil, 38 Campeonatos Gaúcho, entre outros. Já o Grêmio, ou Tricolor Gaúcho (como também é chamado), conquistou um Mundial Inter-Clubes, duas Taças Libertadores da América, dois Campeonatos Brasileiros, quatro Copas do Brasil, 35 Campeonatos Gaúchos, entre outros.

Outra citação sobre essa paixão pode ser conferida em Peleia, Fabiano Baldasso e Carlos Guimarães (2007). “Um Gre-Nal arruma a casa”, uma vez disse Ibsen Pinheiro. “O Grêmio não seria nada sem a grandeza do Internacional”, afirmou Rudi Armin Petry. “Eu nunca vi uma rivalidade como esta em toda a minha vida”, disse um andarilho deste mundo. Acreditamos em todos eles. O Gre-Nal é a razão de o Rio Grande do Sul ser tão apaixonado por futebol. (Baldasso;Guimarães, 2007, pg.11).

Além da dupla Gre-Nal, o Rio Grande do Sul tem vários clubes pequenos de tradição, com camisas reconhecidas pelos torcedores e que possuem vínculo sentimental com suas comunidades. Assim, o futebol não se resume a Grêmio e Internacional na TV. O amor ao futebol também é externado na beira da tela de estádios como o Bento Freitas (do Brasil de Pelotas, dono da maior torcida do interior do Estado), o Centenário (em Caxias do Sul), o Pedra Moura (em Bagé) e tantos outros.

O futebol é cultuado por todo o interior e na capital. As competições internas são fortes, embora falte dinheiro para levantar muitos clubes considerados pequenos.

O futebol no Rio grande do Sul não é apenas contemplativo. Tanto no interior quanto na capital são extremamente difundidas as peladas, em campos de várzea ou quadras alugadas, além de inúmeros campeonatos amadores e envolvendo as categorias de base dos clubes. No interior do Rio Grande do Sul são famosas as competições que fazem parte as categorias de base dos clubes, em Alegrete, interior do estado, acontece o Encontro de Futebol Infantil Pan-Americano (Efipan), como é explicado no jornal informativo especial, Zero Hora - O Melhor do Rio Grande (2006). “O Encontro de Futebol Infantil Pan-Americano (Efipan) reúne desde 1980 o melhor do futebol infantil do Rio Grande do Sul, do Brasil e de países do Mercosul. Na sua primeira edição, já reuniu equipes como o Nacional de Montevidéu, Cerro Porteño, de Assunção, a Seleção de Buenos Aires, Palmeiras (SP), entre outros. O torneio é reconhecido pela Federação Internacional de Futebol (FIFA).

Todos os anos, na primeira semana de janeiro, centenas de meninos com idades de até 13 anos deixam de lado parte do período de férias pela chance de brilhar no encontro. Já passaram pelo Efipan jogadores como Ronaldinho, do Barcelona, os argentinos Canigia e Tevez e o gaúcho Rafael Sóbis.

Por isso, não é raro ouvir alguém comentar que o encontro antecipa futuros craques. Para a arbitragem são chamados juízes de futebol de renome, como o representante brasileiro na Copa da Alemanha, Carlos Eugênio Simon.

A competição também premia os torcedores sempre com o primeiro Gre-Nal do ano. E, ao final do evento é escolhida a seleção Efipan e seu craque revelação.” (2006, pg.53).

Já em Santiago, ocorre a 20 anos a Copa Santiago de Futebol Juvenil, como é citada em Zero Hora - O Melhor do Rio Grande (2006). “Craques da bola são revelados na Copa Santiago de Futebol Juvenil desde 1998. O torneio conta com times do Mercosul e já foi prestigiado por equipes do México, do Japão e pela seleção juvenil da China. Já disputaram o torneio jogadores como Ronaldinho, Anderson Polga e Emerson.” (2006, pg.161).

Como podemos ver a força do futebol gaúcho não está apenas nas grandes conquistas. A origem de tudo está no esforço de todos para manter o futebol vivo em todos os gramados do estado, para deixar em evidência os considerados pequenos e cidades que não são consideradas pólos de futebol.

Em síntese, a importância de um país ou estado no cenário futebolístico não se faz apenas com muito dinheiro. É necessário um espírito coletivo que mantenha aceso o amor pelo futebol. É preciso que se mantenham todas as instituições, que reforcem esse vínculo emotivo com a bola. Por isso o trabalho dos pequenos também faz parte da história de sucesso da dupla Gre-Nal.

Em Peleia, Fabiano Baldasso e Carlos Guimarães, (2007), uma referência sobre o motivo da paixão gaúcha pelo futebol. “Uma história construída e permeada por batalhas, combates, façanhas e heróis. De um Estado que se orgulha de cantar o seu hino, que se orgulha de servir de modelo a toda terra, mostrando valor, constância, com um povo que tem virtude e jamais, jamais acaba por ser escravo.

Essa é a motivação. Bairrismo? De forma alguma. Apenas queremos mostrar a importância do nosso povo dentro do contexto brasileiro. E aí, voltamos para o começo de tudo. Há algo melhor do que futebol para explicar tudo isso? Certamente, nada mais apaixonante.” (2007, pg.07).

A paixão do povo gaúcho pelo futebol eleva o esporte pelo mundo, divulgando o futebol não só gaúcho, mas brasileiro, suas peculiaridades, virtudes e principalmente emoção.